Sobre este curso
Os isótopos estáveis da água respondem às condições em que os processos hidrológicos ocorrem, principalmente condensação, derretimento e evaporação. Essa resposta se dá pelo fracionamento isotópico. Determinar o fracionamento isotópico em elementos da criosfera — principalmente neve, precipitação líquida, gelo e água de degelo — permite rastrear a origem e a intensidade desses processos.
Estudos isotópicos na criosfera andina têm gerado, por exemplo, dados fundamentais para o entendimento da variabilidade hidroclimática na América do Sul. As razões de isótopos estáveis em testemunhos de gelo extraídos de geleiras do Peru e da Bolívia revelam a variabilidade e a intensidade de períodos secos e úmidos ao longo dos últimos milhares de anos. Esses marcadores isotópicos apresentam elevado potencial para fornecer informações ambientais essenciais ao estudo da criosfera andina, especialmente devido a dois fatores atuais:
1. a acentuada mudança nos regimes de precipitação, causada tanto pelo aquecimento atmosférico quanto pelas alterações no uso da terra;
2. o drástico recuo das geleiras devido à perda de massa glacial, principalmente em resposta ao aumento da temperatura atmosférica.
Expandir o monitoramento das razões isotópicas pode ser uma estratégia fundamental para o estudo das alterações nos ambientes glaciais andinos diante das mudanças climáticas. Para isso, são necessárias estratégias e técnicas — desde a coleta até a análise — que representem, com a maior acurácia e precisão possíveis, o fracionamento ocorrido na matriz ambiental em estudo, minimizando alterações pós-coleta. Este curso apresentará as possíveis contribuições que os dados de isótopos estáveis podem oferecer, bem como os procedimentos e técnicas adequadas para sua amostragem e análise.
Este curso integra as atividades do Grupo de Trabalho de Neve e Gelo (GTNH) do Programa Hidrológico Internacional para a América Latina e o Caribe da UNESCO (PHI–LAC). O GTNH vem coordenando, desde 2003, atividades e iniciativas conjuntas entre os programas glaciológicos dos países participantes da América do Sul e do México.
Instrutores
Filipe Gaudie Ley Lindau
Dedico-me ao estudo da variabilidade climática e ambiental na América do Sul a partir de testemunhos de gelo dos Andes tropicais e da Antártica. Meus estudos ocorrem em parceria com diferentes instituições, principalmente o Climate Change Institute (CCI) da University of Maine (EUA) e a Università degli Studi di Milano-Bicocca (UNIMIB, Itália). No verão de 2024-2025 integrei a equipe de coordenação da Expedição Internacional de Circum-navegação Costeira Antártica. Liderei equipe brasileira em expedição científica à calota de gelo Quelccaya (Peru) em 2022. Também integrei expedição brasileira ao interior da Antártica em 2022, no acampamento da geleira Pine Island. Além disso, integrei o projeto Ice Memory na expedição científica ao Nevado Illimani (Bolívia) em 2017, além da primeira travessia Brasileira ao Manto de Gelo da Antártica Ocidental em 2015. Em 2023 realizei estágio de pós-doutorado de seis meses no CCI. Sou doutor em ciências na área de concentração de geoquímica pelo programa de pós graduação em geociências da UFRGS (2020), com período de doutorado sanduíche de um ano no Dipartimento di Scienze dell'Ambiente e della Terra da UNIMIB. Mestre em geociências, na área de concentração de geoquímica pela UFRGS (2014) e graduado em engenharia química pela mesma universidade em 2011. Confira seu currículo completo aqui.
Ronaldo Torma Bernardo
Graduado em Química Industrial e Licenciatura em Químicapela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995, 1997), e mestre em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1999). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Glaciologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Antártica, Glacioquímica, testemunhos de gelo e mudanças ambientais globais. Participou de sua primeira missão científica na Antártica em 2002, além de missões de trabalho em 2004-06 na Argentina (LEGAN - Laboratorio de Estratigrafía Glaciar y Geoquímica del Agua y de la Nieve), na França em 2005 - (LMCE/CEA - Laboratoire de Modélisation du Climat et de lEnvironnement), e no Climate Change Institute, University of Maine em 2010, 2013, 2015, 2017, 2019 e 2024 , envolvendo estudos em testemunhos de gelo antárticos e andinos. Possui experiência em implementação de laboratórios limpos e análises químicas quantitativas em concentrações traço (IC, espetrometria de massas) e análise de isótopos estáveis D/H e O18/O16. Participou da equipe na primeira travessia brasileira na Antártica em 2015, de campanha nos Andes para recuperação de testemunho de gelo no glaciar Quelccaya (Perú), na missão científica de recuperação de testemunhos de gelo na Geleira PIne (Antártica Oeste), no verão austral 2022-23. No verão de 2024-2025 participou da equipe de coordenação da Expedição Internacional de Circum-navegação Costeira Antártica. Confira seu currículo completo aqui.